20240128
ISRAEL x HAMAS
O fato de o atual presidente de Israel ser de extrema direita é meramente circunstancial no que toca à reação israelense de atacar a Palestina depois de ser bombardeado pelo Hamas. Se ele fosse de extrema esquerda, teria agido diferente?
O Hamas bombardeou Israel para, como tem sido o objetivo de toda guerra, derrotar Israel e impedi-lo de alcançar seu objetivo político na região. Um bombardeio é uma declaração de guerra. Se bombardeou, declarou guerra, e se declarou guerra devia, ou deve ter a pretensão de ganhá-la. Para ter a pretensão de ganhar a guerra deveria ter consciência de possuir armamentos suficientes e estratégia auspiciosa; caso contrário, seria, como se diz popularmente, "cutucar a onça com vara curta". Pois é precisamente o que parece ter ocorrido, e agora o Hamas e os demais acusadores de Israel estão acusando a onça de ter revidado a um cutucão com vara curta.
O Hamas cometeu um ato absolutamente irresponsável, perante os palestinos, ao bombardear Israel. Ou será que fizeram um plebiscito antes entre o povo?
Indícios de solidariedade entre muçulmanos e judeus não há na história dos últimos 5 mil anos. A única solidadariedade com os Reinos de Israel e Judá teve a Pérsia ao devolver-lhes as terras quando os libertaram dos babilônios (que também, assim como os romanos quase mil anos antes, os expulsaram e exterminaram aos montes).
A França, quando Napoleão invadiu Jerusalém a caminho do Egito, chegou a oferecer um lugar para Israel constituir um Estado —vassalo, porém— se Israel lhe desse apoio militar para a pretendida invasão do Egito. "É bom negócio para vocês", disse Bonaparte com outras palavras, "porque os árabes são seus inimigos."
De fato, durante todas suas proezas imperialistas na Europa, Oriente Médio e África Norte, das quais nasceu um imenso império muçulmano de 1200 anos de duração, os muçulmanos sempre sobreescreveram os judeus, sem dar-lhes a mínima atenção, sempre que passaram e ocuparam aquele litoral leste do Mediterrâneo. Jamais cogitaram da opção de "manter os dois" com uma caixinha ao lado para marcar.
O próprio Império Otomano, durante a I Guerra Mundial, já se aliara à Alemanha que, se ainda não era nazista, já era antissemita e propagava abertamente o arianismo desde 1870. E durante a II Guerra, a Turquia, para tentar recuperar territórios perdidos, aliou-se precisamente aos nazistas que apregoavam o arianismo e visavam implantá-lo no Estado alemão, sendo para isto, segundo eles, necessário exterminar todos os judeus —além de outros povos inferiores—, que ainda por cima acusavam de serem os responsáveis pelo fracasso econômico alemão.
A Turquia muçulmana é, portanto, cúmplice do extermínio de 6 milhões de judeus. Ou será que Israel deveria fazer vista grossa, atribuindo a aliança a um lapso psicológico turco momentâneo ou à ironia turca do destino?
Outro milhão de judeus teve muita sorte, isto sim, de ter sido libertado dos campos de concentração nazistas, uma sorte de fato gigantesca porque seus libertadores foram, nada mais nada menos, os vencedores da guerra, Estados Unidos, Inglaterra, França e Rússia, com quem os judeus jamais tiveram qualquer aliança, nem contra nem a favor. Deveriam os judeus recusar o apoio e as ofertas promocionais desses seus aliados circunstanciais, tão vitoriosos, e oferecer à Palestina o espaço a eles ofertado? Por que faria isto, se durante toda a história anterior nem árabes nem muçulmanos tiveram qualquer consideração especial pelos judeus?
Cabe ao Hamas redimir-se do irresponsável bombardeio em Tel Aviv, devolvendo todos os reféns e rendendo-se, pondo fim à guerra. Não se esquecendo, ainda, de pedir tardias e irremediáveis desculpas aos palestinos.